terça-feira, 7 de setembro de 2010

INSTANTES II

Não é santo quem nunca pecou
ou sempre se poupou

Não é puro quem nunca se expôs a provas
da dor, da raiva, do medo, dos desejos, das alegrias, dos prazeres

Não é virtuoso quem nunca fraquejou
Nem é forte quem nunca vacilou

Não é sensato quem nunca ousou sair de sua
área de conforto e segurança
Nem quem nunca se aventurou
Sabendo que há riscos que compensam
E outros que representam desrespeito à vida!

Ser Humano de verdade é um ser depurado
pelas águas e pelo fogo das experiências da Vida!

Que, portanto, viveu e aprendeu:
- que o fogo da dor, do amor, da solidão, do desespero
deveriam ter lapidado o ego e a alma
para serem Servidores do Espírito Imortal
ou, então, um Ser Humano de fato e real!

O verdadeiro Ser Humano, portanto:

Sabe usar a Vida
e seus bens materiais e morais
sem abusar e sem consumismo
mas com singela sabedoria
e salutar economia!

Sabe que:

Sabedoria não é mera filosofia, mas fruto de vivência e
Economia não é ser mesquinho ou temeroso pelos bens!

Sabe, sobretudo, o preço de ser um Ser Humano:

Permitir (sempre de novo) que toda dor
Sirva de maturação do coração
Transformando-o num fruto doce e maduro
E não amargo e duro!

E então, este Ser Humano “imitaria genuinamente”
Jorge Luis Borges e escreveria:

Instantes II

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
trataria de aprender o mais cedo possível
a diferença entre errar por não saber e precisar aprender com o erro,
do erro advindo da repetição, e disso sabendo,
viveria sem mania de perfeição,
mas de constante aperfeiçoamento,
respeitando meus limites do momento,
e do meu próximo também,
mas lamentaria pelos que não fazem da pedra de tropeço um aviso
ou dos que preferem ver tudo como castigo!

Saberia que há um meio termo salutar para tudo,
inclusive para a higiene pessoal e geral!
E que existe uma fase de aprendizado na vida,
que nos torna radical - muito mental!
Até na área espiritual, focando só o dual!

Mas depois de assimilada a dolorida lição:
de que criticar, dissecar e julgar
só produz feridas no Coração,
deveria se viver a unidade,
com a Alma e não com a Razão!

Teria mais tempo para contemplar o amanhecer e o entardecer,
quer seja do vale ou da montanha, pois saberia,
que cada ângulo tem sua beleza!

Também nadaria mais, mesmo que em águas rasas, pois aprenderia:
que há riscos que compensam e que estimulam nossos limites,
e outros que representam desrespeito à vida!

Iria a lugares distantes
para ampliar meus horizontes internos e externos,
mas também saberia desfrutar melhor meu próprio lugar,
pois saberia que o distante
sempre nos parece mais fascinante que o próximo!

Tomaria sim mais sorvetes
e em compensação cuidaria de comer mais saladas
e tomaria mais sucos ou comeria mais frutas,
para enfim garantir a saúde para muitos passeios e desfrutes!

Teria, sem dúvida, menos problemas do que de mim dependesse,
ou seja, não fazendo de cada problema um problema maior
e àquela quota normal,
saberia encarar como parte da vida e não como um peso anormal,
pois já teria percebido, que problemas são sinônimo de vida,
tendo como função ativar nosso potencial latente
por meio da busca da solução!
Saberia, sim, que há problemas mais complicados
que exigem um bocado de paciência e persistência!

Mas não seria um desses que viveu cada minuto
como se a vida fosse apenas usufruir!
E nada aprendeu com a mestra-dor
e viveu como um ser sem consciência
ou inteligência racional – como um animal!

Nem seria um desses que nunca leva nada consigo,
a não ser a contagiante vontade de usufruir e acaba (ab)usando
da bondade dos amigos, estranhos e da natureza!
Mas não levaria tanto quanto alguns levam nas viagens ou pela vida,
porém, trataria de evitar
que minha leveza causasse peso aos outros ou à natureza!

Aproveitaria o frio ou um tempo livre qualquer,
para ler bons livros, não como mera fonte de instrução ou informação,
mas, sobretudo, como fonte de inspiração:
para saber que viver é mais do que existir!

Daria mais voltas na minha rua em troca de programas sem teor,
mas não deixaria de ver filmes de valor
e de humor e de rir com sabor
e de ver a cor da vida, no dia a dia,
e não apenas nas grandes obras de arte.

Trataria de aprender a fazer de cada momento um bom momento,
porque já saberia que:

Viver é a maior das artes!
E toda arte de fato, requer maestria e a maestria requer:
persistência, paciência e prática!
Enfim, saberia que:

Viver é um compromisso com a consciência pessoal
coletiva e espiritual!

E que Instantes ou Momentos
Não são meros fragmentos isolados da Existência

Mas as pérolas a formar o colar da Vida unidas pelo fio da Consciência!


Helena Schaffner
(Escrito em 1992 e revisado em 2008)

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